Turquia

Músico Omar Souleyman libertado sem acusações

Músico Omar Souleyman libertado sem acusações

O músico sírio Omar Souleyman, detido na quarta-feira, em Şanlıurfa, na Turquia, por suspeitas de ligações ao braço sírio do PKK, grupo armado classificado pelo regime de Erdogan como organização terrorista, foi libertado sem qualquer acusação formal.

Omar Souleyman, conhecido mundialmente por canções como "Warni Warni" e "Ya Bnayya", tinha sido detido na quarta-feira por uma suposta ligação ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, vulgarmente conhecido como PKK, cuja pretensão de instaurar um estado curdo autónomo ajuda a explicar a luta armada que o grupo tem travado com o Estado turco desde os anos 80.

O cantor e DJ de 55 anos, que atuou em festivais de todo o mundo (Portugal não foi exceção, quando o expresso do Oriente cativou Paredes de Coura, em 2011, e voltou oito anos depois para o Festival Músicas do Mundo, em Sines), terá sido questionado pelas autoridades sobre relatos que davam conta de uma viagem recente a uma área da Síria controlada pela extensão do PKK no país, o YPG, informou o agente de Souleyman à agência de notícias France-Presse (AFP). Em declarações à imprensa síria, o filho de Omar Souleyman, Muhammad, rejeitou quaisquer afiliações políticas e apontou para uma "denúncia maliciosa" feita contra o pai.

Segundo apurou o JN junto de fonte ligada ao processo, o músico, que saiu da nação-berço para o país vizinho quando o conflito sírio explodiu, em 2011, foi libertado nesta sexta-feira, sem qualquer acusação formal, não tendo sido agredido durante o tempo em que esteve sob custódia das autoridades. O artista - que contou com o apoio do presidente da Ordem dos Advogados de Şanlıurfa, Mehmet Velat İzol, pró-curdos - esteve detido durante 24 horas antes de ser transferido, na quinta-feira, para um centro onde cidadãos aguardam a deportação, disse o advogado Resit Tuna à AFP. Mas acabou por regressar hoje a casa, para junto da família, que não está a fazer declarações.

As cerca de trinta milhões de pessoas que compõem o povo curdo, grupo étnico do Médio Oriente, dividem-se essencialmente pela Turquia (onde viverá metade, no chamado Curdistão turco), pelo Iraque, Síria e Irão, embora também haja comunidades curdas noutros países. Ainda que a população da chamada nação sem pátria seja equivalente à de três Portugais, os curdos não têm território independente, sendo essa a reivindicação primária das milícias armadas.

Além das frequentes operações transfronteiriças contra o PKK (considerado uma organização terrorista pela Turquia, Reino Unido, União Europeia e Estados Unidos), detenções por supostas ligações aos grupos radicais curdos não são incomuns: nos últimos anos, de acordo com o britânico "The Guardian", dezenas de milhares de pessoas foram detidas em toda a Turquia por acusações de terrorismo, em resultado da repressão do presidente Recep Tayyip Erdoğan aos supostos seguidores do grupo curdo e do clérigo Fethullah Gülen, que Ancara culpa por uma tentativa de golpe em 2016.

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Casamento entre música popular e eletrónica

Nascido na cidade síria de Tell Tamer, na província de Hasakah, de maioria curda, onde começou a cantar em casamentos como part-time de forma autodidata, Souleyman acabou por tornar-se embaixador do casamento único entre Dabke, estilo folclórico de música e dança popular do Médio Oriente, com música eletrónica. As letras de amor dos sete álbuns cantados em curdo e árabe, onde está bem presente a influência do meio culturalmente diverso em que cresceu e fez vida, fizeram de Souleyman uma estrela internacional - o tema "Warni Warni", lançado em 2013, ano em que atuou na cerimónia do Prémio Nobel da Paz, tem mais de 95 milhões de visualizações no YouTube.

O músico - que tem nos óculos escuros, no lenço keffiyeh xadrez vermelho e na dishdasha branca (vestido até aos tornozelos e com mangas compridas) a imagem de marca - trabalhou com nomes como Björk, Four Tet, Damon Albarn e Diplo.

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