Migrações

Novos naufrágios ao largo da Líbia fazem mais de 160 mortos

Novos naufrágios ao largo da Líbia fazem mais de 160 mortos

Mais de 160 migrantes morreram afogados em dois naufrágios registados ao largo da costa da Líbia durante a semana passada.

Estes dois naufrágios foram os acidentes mais recentes ocorridos no Mar Mediterrâneo, envolvendo migrantes que tentam fazer a travessia e alcançar as costas europeias.

Segundo a porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Safa Msehli, pelo menos 102 migrantes morreram na sexta-feira passada, após o barco de madeira em que viajavam se ter virado, ao largo da costa líbia.

Outras oito pessoas foram resgatadas e levadas para terra.

O segundo naufrágio aconteceu no sábado, tendo a guarda costeira da Líbia recuperado pelo menos 62 corpos de migrantes.

A representante acrescentou que, nesse mesmo dia, foi intercetada uma terceira embarcação com pelo menos 210 migrantes a bordo.

Estas vítimas aumentaram o número de mortos contabilizado na rota do Mediterrâneo Central (uma das mais mortais, que sai da Líbia, Argélia e da Tunísia em direção aos territórios de Itália e de Malta) para cerca de 1.500 pessoas só este ano, segundo Safa Msehli.

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Nos últimos meses, registou-se um aumento súbito de travessias e de tentativas (muitas delas frustradas) a partir da Líbia para a Europa, à medida que as autoridades daquele país aumentaram a repressão contra os migrantes, nomeadamente na capital Tripoli.

Cerca de 31.500 migrantes foram intercetados e voltaram para a Líbia em 2021, o que significa um crescimento de 164% em relação aos 11.900 migrantes do ano anterior, de acordo com a OIM.

Além disso, cerca de 980 migrantes foram mortos ou presumivelmente mortos em 2020, avançou ainda a agência da ONU.

A Líbia emergiu como um ponto de passagem dominante para os migrantes que fogem da guerra e da pobreza em África e no Médio Oriente.

O país, rico em petróleo, mergulhou num caos securitário após a queda do regime do ditador Muammar Kadafi, em 2011.

Redes organizadas têm aproveitado o caos instalado no país para traficar migrantes, colocando, muitas vezes, estas pessoas em risco de vida.

Os migrantes intercetados são levados de volta para a Líbia, que não é considerado um porto seguro, e colocados em centros de detenção sobrelotados, onde estão expostos, segundo denúncias de organizações internacionais, a abusos, trabalhos forçados, espancamentos, violações ou tortura.

Investigadores da ONU defenderam, em outubro, que os abusos e os maus-tratos infligidos aos migrantes na Líbia devem ser considerados como crimes contra a Humanidade.

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