Pandemia

Vacinação contra a covid avança a diferentes velocidades pelo Mundo

Vacinação contra a covid avança a diferentes velocidades pelo Mundo

Metade da população está protegida, mas diferença entre países desenvolvidos e mais pobres é enorme. Avançam restrições e multas para quem recusa.

Um processo de vacinação a diferentes velocidades conforme a geografia e uma franja da população que a recusa. A toma da vacina contra a covid-19, tida como uma forma de aumentar a proteção contra o novo coronavírus que desencadeou uma pandemia global, está longe de estar concluída e de ser igualitária para toda a população. Portugal é o segundo país do Mundo com a maior taxa de vacinação.

Até agora, foram administradas mais de nove mil milhões de vacinas em 197 países e mais de metade da população mundial recebeu pelo menos uma dose. De acordo com o site Our World In Data, - em português, "O Nosso Mundo em Dados", um projeto da organização Global Change Data Lab produzido em colaboração com a Universidade de Oxford -, a China e a Índia administraram o maior número de doses, com quase três mil milhões e 1,5 mil milhões, respetivamente. Os Estados Unidos estão em terceiro lugar, com 500 milhões.
Se há países, como os Emirados Árabes, que têm quase toda a população com pelo menos uma dose (99%), outros, como a Etiópia, não alcançam sequer os 8% (estão com 7,9%). Na Nigéria, a realidade será ainda pior, já que os números apontam para 5,86%.

Mundo fora, vários países estão a aumentar as restrições de acesso a não vacinados, a decretar a obrigatoriedade e alguns até avançam com coimas (ler exemplos ao lado). A Áustria, que tem 71,5% da população elegível com pelo menos uma dose, abaixo de outros países europeus, como Portugal (94%) ou Espanha (86,25%), vai, por exemplo, tornar-se o primeiro país da Europa a tornar a vacinação obrigatória.


Questão de Direitos Humanos

Já por diversas vezes o Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou a falta de igualdade no processo de vacinação, que considera ser uma questão de "Direitos Humanos" e um "bem público global e acessível a todos". Numa das ocasiões, alertou também para o facto de, em alguns países, a pandemia estar a servir de pretexto para limitar as liberdades básicas e silenciar relatórios independentes, dando azo a desinformação que pode ser perigosa.

Não sendo uma cura, ser vacinado "adiciona mais uma camada de proteção" para quem a toma e todos aqueles que a rodeiam, lê-se na página oficial das Nações Unidas.

"Para acabar com a pandemia, uma grande parte do mundo precisa estar imune ao vírus. A maneira mais segura de conseguir isso é com uma vacina", uma "tecnologia em que a humanidade muitas vezes confiou no passado para reduzir o número de mortes por doenças infeciosas", escreve o Global Change Data Lab. O desafio atual, acrescenta a organização, é tornar as vacinas existentes "disponíveis para pessoas em todo o mundo. Será fundamental que as pessoas em todos os países - não apenas nos países ricos - recebam a proteção necessária".

Muito trabalho pela frente

Vários países mais pobres estão a beneficiar de entregas do Covax, um programa de partilha de vacinas promovido por diversos parceiros, incluindo a Organização Mundial de Saúde. No fim de semana foi anunciado que já foram distribuídas, através do mecanismo, mil milhões de doses em 144 países.

Ainda há, porém, muito trabalho pela frente. No continente africano, por exemplo, apenas 15,3% da população tem pelo menos uma dose e só 9,98% estarão completamente vacinadas. A definição de vacinação completa varia conforme a região, o tipo de vacina e até novas variantes que vão surgindo. Em alguns países, a indicação de vacinação completa pode incluir doses de reforço. Convictos de que uma terceira dose de "reforço" de uma vacina pode oferecer proteção acrescida contra a variante ómicron, pelo menos 89 países avançaram com programas de vacinação de reforço, de acordo com a BBC.

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