Saúde

BE pede audição urgente de Graça Freitas face ao aumento da mortalidade materna

BE pede audição urgente de Graça Freitas face ao aumento da mortalidade materna

O Bloco de Esquerda quer ouvir Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, e Diogo Ayres-de-Campos, presidente da Associação Europeia de Medicina Perinatal, sobre o aumento da mortalidade materna. O partido requereu, esta terça-feira, uma audição com caráter de urgência na Assembleia da República.

O requerimento já foi entregue na comissão parlamentar de Saúde, na sequência da notícia do Jornal de Notícias publicada na edição desta terça-feira. O JN dá conta de que a taxa de mortalidade materna atingiu, em 2020, 20,1 óbitos por 100 mil nascimentos, sendo o nível mais alto dos últimos 38 anos. No primeiro ano da pandemia, 17 mulheres morreram devido a complicações da gravidez, do parto e puerpério. A Direção-Geral da Saúde está a investigar (DGS) e criou uma comissão multidisciplinar para estudar o aumento das mortes maternas.

Para o BE, "os dados de 2020 sobre a mortalidade materna em Portugal são muito preocupantes" e continuam a faltar explicações por parte da Direção-Geral da Saúde.

"A Direção-Geral da Saúde tem dito recorrentemente que é preciso analisar estes dados não a partir de um único ano, mas tendo em conta uma séria mais longa. Ora, essa série mais longa já existe, no entanto, continuam a faltar conclusões sobre as causas que estão a elevar a mortalidade materna em Portugal", alerta o partido no requerimento, subscrito pela deputada e coordenadora do BE, Catarina Martins.

No Parlamento, em declarações aos jornalistas, Catarina Martins afirmou que "é seguro ser mãe em Portugal", mas os dados mostram que a "mortalidade materna está em números equivalentes a 1982". "Sabemos que há razões que não tem a ver com condições de saúde, como as mulheres quererem ser mães mais tarde", apontou. Mas os riscos acrescidos devem ser "analisados", acrescentou. Para tal, seria necessário um maior acompanhamento no SNS às mulheres que "querem engravidar mais tarde".

A coordenadora do BE diz ainda ser "incompreensível" que não seja conhecidos mais dados quanto à mortalidade materna. "Está na altura de se perceber o que se passa", defendeu.

"Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de mortalidade materna tem registado, desde 2017 valores bastante elevados para o que era a média nacional nos anos anteriores. Em 2017 essa taxa foi de 12,8/100.000 nascimentos, em 2018 de 17,2/100.000 nascimentos, em 2019 de 10,4/100.000 nascimentos e em 2020, últimos dados oficiais, 20,1/100.000 nascimentos", insiste a deputada, lembrando que, em 2019, o BE apresentou e aprovou um requerimento para a audição de Graça Freitas na comissão parlamentar de Saúde, mas essa audição nunca se concretizou.

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Certa de que o aumento da mortalidade materna em Portugal coloca em risco um dos principais e melhores indicadores de saúde do país, defende que as "causas não podem ser escondidas e a sua discussão não pode ser adiada".

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