Saúde

Médicos ucranianos que não falem português vão poder exercer com tutor

Médicos ucranianos que não falem português vão poder exercer com tutor

A Ordem dos Médicos (OM) está disponível para adiar a prova de comunicação em português aos médicos ucranianos que estão a chegar a Portugal, facilitando a sua integração em equipas de trabalho sob orientação de um tutor. Não ficam dispensados do reconhecimento prévio dos cursos de medicina, que é feito por universidades portuguesas.

Miguel Guimarães, bastonário da OM, adiantou que a proposta, já apresentada ao Ministério da Saúde, surge ao abrigo do estatuto equivalente a refugiado, que está a ser dado aos ucranianos, e visa "facilitar a inscrição na Ordem" para poderem integrar-se no mercado de trabalho. Será usada a "figura do médico sem autonomia".

"Para não prejudicar a integração destes médicos, tendo o curso de medicina já reconhecido, o que podemos fazer é aceitar que trabalhem em equipa no Serviço Nacional de Saúde, tendo um médico tutor", que deverá falar em simultâneo português e ucraniano ou inglês, se houver bom domínio desta outra língua estrangeira, especificou Miguel Guimarães.

"Assim, vão-se integrando, aprendendo a nossa forma de trabalhar e auferindo um rendimento". Passados "três ou seis meses, consoante as circunstâncias, submetem-se à prova de português e, aí sim, se passarem, ficam como qualquer médico normal com autonomia", acrescentou, sublinhando que este sistema tem em conta a "proteção da qualidade da medicina e da segurança das pessoas [doentes]".

Até ao momento, a OM recebeu "dois contactos de duas médicas ucranianas, que estão cá com os filhos e perguntaram o que tinham de fazer para se inscrever", adiantou o bastonário.

A prova de comunicação em português é feita pela OM aos médicos formados em países que não de língua portuguesa (os brasileiros, por exemplo, estão dispensados desta prova), que já tenham obtido reconhecimento dos cursos por universidades portuguesas.

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