OE2022

Saúde: Direita critica "indiferença" do PS, Esquerda denuncia "cheiro a negócio"

Saúde: Direita critica "indiferença" do PS, Esquerda denuncia "cheiro a negócio"

A Saúde foi o tema mais recorrente na abertura do terceiro dia da discussão e votação do Orçamento do Estado (OE) na especialidade. À Direita, PSD e IL criticaram a "indiferença absoluta" demonstrada pelo PS relativamente às suas propostas para a área; à Esquerda, BE e PCP denunciaram que as medidas avançadas pela Direita são "todas sobre contratualização com privados", concluindo que "cheira a negócio" aos partidos desse lado do espectro político.

O deputado Rui Cristina, do PSD, considerou "grave" que o PS tenha chumbado, na véspera, as propostas sociais-democratas para a área da Saúde. Entre outros objetivos, estas visavam aumentar a cobertura nacional de médicos de família e, segundo o parlamentar, contribuíam para reforçar "o acesso universal à saúde".

Para Rui Cristina, o chumbo das propostas - avocadas pelo PSD - comprova que a maioria absoluta do PS corresponde a um "poder absoluto". Apesar disso, o parlamentar disse ainda querer "acreditar que as promessas de diálogo da atual maioria não foram apenas palavras vãs".

João Cotrim Figueiredo, líder da IL, considerou que a situação atual dos serviços públicos é pior do que foi durante o tempo da troika, defendendo que é na Saúde que essa degradação se tem revelado "mais chocante".

O deputado liberal resumiu o comportamento do PS com o slogan "maioria absoluta, indiferença absoluta", descrevendo a receita socialista como "carga fiscal máxima, serviços públicos mínimos".

Catarina Martins, líder do BE, interveio para "sossegar a Direita", uma vez que, no seu entender, as propostas feitas por PSD, Chega e IL em matéria de saúde são "todas sobre contratualização com privados" e não a favor do reforço do SNS.

A coordenadora bloquista também citou um artigo de opinião escrito no JN, na terça-feira, pelo presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de S. João, Fernando Araújo, para denunciar que a falta de autonomia de contratação dos hospitais tem contribuído para desestruturar o SNS "de forma irremediável".

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Em resposta, Luís Soares, do PS, afirmou que "só há uma forma de estar" no que toca à Saúde: "o votar a favor de um OE que dá mais 700 milhões ao SNS ou votar contra. O BE já escolheu que vai votar contra", acrescentou.

Já João Dias, do PCP, considerou que "cheira a negócio" à Direita no que diz respeito à Saúde, embora, na sua opinião, as propostas do PS e do Governo também contribuam para "levar mais doentes para o privado".

O comunista defendeu também que, ao privilegiar uma proposta de dedicação plena dos profissionais do SNS - que entende estar "embrulhada" nos interesses privados - em lugar de optar pela dedicação exclusiva e por fixar profissionais em zonas necessitadas do país, o Governo não só "fecha a porta" ao acesso dos portugueses à Saúde como, também, à melhoria das condições dos trabalhadores da área.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, vincou a necessidade de Portugal não ter "uma Saúde de supermercado, baseada em medidas avulsas". Em lugar disso, propôs um SNS "virado para o futuro", que seja "decisivo" na vida dos cidadãos e "promotor de coesão social".

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