OMS pede profissionais de saúde, Governo promete 2600 polícias

Desta vez, não foram os sindicatos, nem os partidos à esquerda do PS que o disseram. Foi a Organização Mundial de Saúde (OMS), que, através da diretora do seu Departamento de Preparação Sanitária, Stella Chungong, alertou para a escassez de profissionais no nosso SNS, apontando caminho ao Governo: "Se [os profissionais do SNS] não virem incentivos claros para que permaneçam, façam o seu trabalho e se sintam felizes, irão para outros sítios", declarou, na sede do Infarmed, em Lisboa.

ana tulha

Dez milhões de mortes que escaparam às contas

Foi o tema dominante de todos os espaços noticiosos durante meses a fio, dia após dia, manchetes sem-fim, boletins incessantes e um rol de mortes aterrador. Até que veio uma guerra em plena Europa e a covid-19 foi perdendo importância, descendo sucessivamente na hierarquia informativa, até quase virar nota de rodapé. Agora, com as máscaras a descer e os números a subir, uma estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) vem pôr outra vez o dedo na ferida, lembrar-nos dolorosamente de quão devastadora foi - e ainda é - esta pandemia, a vários níveis.

sílvia gonçalves

Mais de 100 emergiram dos túneis. Centenas subsistem na escuridão

Dos subterrâneos da siderúrgica Azovstal, em Mariupol, emergiram hoje 101 civis, que uma operação conjunta das Nações Unidas e Cruz Vermelha permitiu fazer chegar a território menos dilacerado, Zaporíjia. Sobre a mesma fábrica, último reduto da resistência ucraniana na cidade costeira, prepara-se o exército russo para avançar com aviação e artilharia, segundo anúncio do Ministério da Defesa russo, que refere ainda o envolvimento de separatistas pró-Moscovo, de Donetsk, para "destruir as posições" ucranianas no complexo industrial. Depois do aviso, as forças ucranianas confirmaram um "poderoso ataque" à fábrica de aço, "com o apoio de veículos blindados e tanques", de que terão resultado dois mortos e dez feridos. Nas caves do complexo, mantêm-se centenas de civis retidos. António Guterres disse esperar que a coordenação da ONU com Kiev e Moscovo "leve a mais pausas humanitárias".

ana tulha

Entre o medo de morrer soterrado e o medo de acabar em território inimigo

De um lado, a vida cingida à negritude dos túneis e abrigos subterrâneos de um complexo industrial da era soviética, dois infinitos meses sem réstia de luz solar, o oxigénio a querer escassear, a sensação de um desabar iminente a cada bombardeamento (como aqui se conta). Do outro, o medo de ser desviado na fuga, o pavor de não chegar nunca ao porto seguro, de acabar antes condenado a sobreviver em território inimigo. Será este o dilema que, por estes dias, aflige uma boa parte dos civis que continuam a resistir nas entranhas da fábrica da Azvostal, em Mariupol (Ucrânia)

inês schreck

Expectativas em baixo, lá fora e cá dentro

Um dia depois da visita de António Guterres a Moscovo, a Rússia cumpriu o prometido e cortou o fornecimento de gás à Bulgária e à Polónia. Um dia depois do encontro do secretário-geral das Nações Unidas com Putin, continuam os ataques armados na Ucrânia, não há acordo para corredores humanitários em Mariupol e sobem de tom as ameaças a qualquer país de fora que ouse intervir no conflito. Um dia depois...Guterres chega a Kiev, mas as expectativas são baixas.

paulo lourenço

Os últimos dias de Mariupol no adeus a Eunice Muñoz

No dia em que Eunice Muñoz foi a enterrar e que a Câmara do Porto aprovou a proposta de saída da Associação Nacional de Municípios Portugueses, não deixa ainda de ser a guerra na Ucrânia a estar no topo das preocupações. A poucos dias de se completarem dois meses sobre o início da agressão russa, continuam a chegar exemplos inimagináveis de sobrevivência e resistência, mas a queda de Mariupol afigura-se como iminente, ao contrário da paz que parece um sonho cada vez mais distante.

miguel pataco

Do inferno na terra à bomba que cobrava sem abastecer

Já lá vão 54 dias e Mariupol ainda não hasteou a bandeira branca. A derradeira resistência ucraniana na cidade portuária fala de um autêntico inferno na terra, mas o fogo de uma guerra que dura há quase dois meses não se trava em fronteiras regionais como prova o ataque desta segunda-feira a Lviv. Enquanto a China continua a mostrar mão de ferro na luta contra a covid-19 e Portugal é o sétimo país europeu com mais cassos diários, um posto de combustível em Vila Pouca de Aguiar decidiu que o preço do gasóleo não estava alto o suficiente...