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António José Gouveia

Da leveza à dureza

1. A vida normal não pode esperar. E todos já sabíamos que, provavelmente, este será o futuro. Espanha deverá ser o primeiro país a mudar radicalmente os protocolos para conter a doença a bem das relações humanas e da economia e a começar a olhar para a covid como uma simples gripe. A nossa clarividência em relação ao SARS-Cov2 é cada vez maior. Pelo que tem de ser acompanhada por protocolos cada vez menos rígidos, à medida que mais pessoas tenham tido contacto com o vírus, tendo em atenção que a larga maioria da população já está vacinada. O Governo espanhol prepara-se para mudar tudo. Ou seja, sem contar os casos e sem pedir provas ao menor dos sintomas. Ou seja, observar a covid como mais uma doença respiratória. Este é passo que tem tudo de perigoso e de corajoso, mas Pedro Sánchez está disposto a avançar. Uma estratégia que, segundo o jornal "El País", estava a ser preparada desde o verão de 2020 e deverá ser implementada depois de controlada a sexta vaga. Por cá, com eleições à porta, nem Governo nem oposição querem falar sobre uma estratégia de combate ao vírus. É mais importante o tema da prisão perpétua ou se os cidadãos podem ou não quebrar o isolamento para votar, como se isso já não estivesse mais do que esclarecido.

António José Gouveia

Quem cala consente

A Igreja Católica francesa, apesar de preservar o segredo da confissão, agiu energicamente ao lidar com os abusos sexuais de menores no seu seio. Por sua iniciativa, a Conferência Episcopal francesa encomendou uma investigação a uma comissão independente, que trabalhou sem restrições. Os dados do relatório são avassaladores: pelo menos 216 mil menores foram vítimas de abusos ou violência sexual, entre 1950 e 2020, por mais de 3300 padres e religiosos.